Sindijufe - MT

Estado mínimo. Lucro privado máximo. Prejuízos para a população

Enel de SP teve lucro bilionário: qual o tamanho dela no Brasil e no mundo?

A atuação da Enel-SP após o “apagão” que ocorreu na Grande São Paulo devido ao temporal da sexta-feira (3) será alvo de investigação na Câmara Municipal da capital e na Assembleia Legislativa do estado.

Cerca de 2,1 milhões de imóveis chegaram a ficar sem energia na área de atuação da empresa. Na tarde desta quarta-feira (8), após o prazo definido pela própria distribuidora se esgotar, 11 mil unidades de consumo permaneciam no escuro.

Mas afinal de contas, de onde surgiu e qual a situação atual da empresa responsável por distribuir a energia em parte da Região Metropolitana? Confira abaixo.

O que é a Enel?

A Enel é uma multinacional italiana de capital misto voltada para o setor energético. Criada em 1962, a empresa iniciou sua expansão para o exterior no início do século 21 e, atualmente, está presente em 30 países ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá, Espanha e, claro, Brasil.

No território brasileiro, ela presta serviço em três estados: Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. Até o último ano, ela também atuava em Goiás, mas vendeu as operações na região após sucessivas reclamações do governo local sobre as constantes quedas de energia na área de concessão.

Equipe trabalhando para restabelecer o fornecimento de energia na Grande SP — Foto: EDI SOUSA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Equipe trabalhando para restabelecer o fornecimento de energia na Grande SP — Foto: EDI SOUSA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Início das operações em SP

A distribuidora chegou a São Paulo em 2018, quando adquiriu 73% das ações da até então chamada Eletropaulo Metropolitana. O restante das ações disponíveis no mercado foram compradas ao longo do tempo, até que a Enel-SP ficou com todo o capital da empresa.

Quando assumiu o serviço, a companhia se comprometeu a investir R$ 3,1 bilhões entre 2019 e 2021, visando a melhoria contínua da qualidade do serviço ofertado. Porém, segundo o Sindicato dos Eletricitários do estado, o valor aplicado foi 10% menor do que aquele anunciado.

A área de atuação da Enel-SP abrange 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital, somando cerca de 7,7 milhões de imóveis, dos quais 27% ficaram sem energia após o temporal que atingiu parte do estado paulista na sexta-feira (3).

Caminhão da Enel em rua sem energia em SP — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Caminhão da Enel em rua sem energia em SP — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Redução de funcionários próprios

Entre 2019 e 2023, o quadro de funcionários da Enel-SP aumentou ligeiramente (1,7%). Contudo, o número de funcionários próprios teve uma queda expressiva no período, de 30,6%, deixando de ser maioria na empresa, que investiu na terceirização dos trabalhadores (aumento de 41,3%).

Atualmente, dos 6,7 mil funcionários que atendem pela Enel-SP, apenas 2,4 mil são contratados da empresa.

Para o Sindicato dos Eletricitários do Estado de São Paulo, que também representa os trabalhadores terceirizados, ainda que o número de operadores da empresa tenha aumentado, a formação dos funcionários próprios é diferente e redução deles impacta diretamente no serviço prestado.

Em 2022, a Enel-SP foi a concessionária de energia elétrica com a pior avaliação no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dentre as sete que atendem no estado paulista. No mesmo período, o lucro da empresa foi de R$ 1,4 bilhões — 80% maior do que em 2019.

Resultados financeiros

Nas demonstrações financeiras do terceiro trimestre de 2023, a Enel-SP registra lucro líquido de R$ 208,2 milhões, uma redução de 24,9% em relação ao mesmo trimestre de 2022 (R$ 277,4 milhões). Em relação ao trimestre anterior, houve redução de 40,9% do lucro (R$ 352,6 milhões).

Ainda assim, os números acumulados para os nove primeiros meses do ano são positivos em relação ao ano passado. O lucro acumulado chega a R$ 1,113 bilhão neste ano, contra R$ 869,6 milhões em 2022. Trata-se de uma alta de 28,1% ano a ano.

Já a dívida líquida da empresa chega a R$ 6,21 bilhões, uma redução de 4,11% em relação ao mesmo período de 2022. Segundo o balanço, a empresa encerrou o trimestre com o custo médio da dívida em 14,54% ao ano.

G1

Matéria correlata do UOL

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisa

Pesquisar

Acesso restristo

Área Restrita

Seja membro

Filie-se

Categoria