CRÉDITO: FERNANDO LOPES/CB/D.A PRESS. A PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, NA BOCA DE DRAGÃO.
ROSANA HESSEL
A inflação não dá trégua e está se consolidando no patamar de dois dígitos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou, em outubro, 0,09 ponto percentual, em relação a setembro, e subiu 1,25%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10/11). Foi a maior elevação para o mês de outubro desde 2002 e o resultado ficou acima das expectativas do mercado.
No ano, o indicador da inflação oficial registrou alta de 8,24% e, no acumulado em 12 meses, saltou 10,67%, acima da alta de 10,25% no mesmo período até setembro. Em outubro de 2020, o IPCA subiu 0,86%.
Conforme os dados do IBGE, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em outubro e a taxa de difusão da inflação passou de 65% para 67%, o que não deixa de ser preocupante.
O maior impacto no IPCA, de 0,55 ponto percentual e a maior variação, de 2,62%, vieram dos Transportes, que aceleraram sobre a alta de 1,82% de setembro. Esse resultado foi puxado pela alta dos preços dos combustíveis, de 3,21% no mês, com a gasolina subindo 3,10%, e apresentando impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA. Foi a sexta alta consecutiva do produto, que acumula altas de 38,29% no ano e 42,72% no acumulado em 12 meses.
O grupo com a segunda maior contribuição ao IPCA de outubro, de 0,24 ponto percentual, ficou com Alimentação e bebidas, com alta de 1,17%. A segunda maior variação, contudo, veio do grupo Vestuário, de 1,80%.
Na avaliação de André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, o resultado mantém pressão sobre o Banco Central para altas mais fortes na taxa básica da economia (Selic), em dezembro. Ele esperava alta de 1,15% no IPCA de outubro, mas manteve espera que o BC mantenha o ritmo atual de ajuste nos juros, de 1,5 ponto percentual. Atualmente, a Selic está em 7,75% ao ano.
As cidades de Vitória e Goiânia lideraram as altas no IPCA de outubro, de 1,53%, puxadas pelos reajustes tarifários na conta de energia e de água. No acumulado em 12 meses, as variações foram de de 12,22% e 11,03%, respectivamente. Brasília ficou em quinto lugar, com alta de 1,25% no mês e de 9,30 em 12 meses.
Correio Braziliense