É muito bom ver o carinho que os Servidores do judiciário federal estão recebendo nestes dias. Os Tribunais em Mato Grosso, inclusive, homenagearam seus trabalhadores em parceria com o Sindijufe, que é o Sindicato da Categoria no estado. Mas será que os Servidores estão satisfeitos com suas condições de trabalho? Confiram, a seguir, os depoimentos de alguns deles, que concordaram em se manifestar na esperança por dias melhores. Os nomes foram omitidos, mas a fala deles está na íntegra:
“Com a aproximação do dia 28/10, dia do servidor público, começam a vicejar programações de confraternizações, moções de aplauso, elogios de toda sorte. Porém, o que sentimos no dia a dia são pressões de vários lados.
Metas a cumprir a qualquer custo, atendimento perfeito, mesmo com carência de pessoal, culpa das mazelas dos serviços recaindo sobre nossos ombros.
Pouco se fala da estrutura deficitária dos órgãos, o que redunda numa percepção do usuário(população) de serviço mal prestado por falta de comprometimento do servidor da ponta.
Nós, servidores, estamos envelhecendo na média, já que há restrições na reposição da força de trabalho que se aposenta. E envelhecendo mal, física e mentalmente.
A ameaça da terceirização bate à porta, a tecnologia tem vindo não para auxiliar, mas para substituir o humano.
Se é inexorável o avanço tecnológico, que sejamos preparados para nos reposicionar, e não descartados como peça disfuncional.
Sabemos da melhoria global do serviço público com o advento da constituição cidadã, que ditou como regra a admissão por concurso. Abandonar essa diretiva é retrocesso.
Mas vale co-memorar (no sentido de lembrar junto).
Lembrar que os direitos hoje atacados não foram dados, mas conquistados.
Lembrar que somos cada um de nós e todos, responsáveis por tentar diminuir um pouco a desigualdade existente no Brasil.
Serviço público forte é democracia forte”.
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“Eu não sei se conseguiria transmitir exatamente a sensação do que é ser um servidor público nos dias de hoje.
Nos últimos anos temos recebido críticas por parte da opinião pública. Em contrapartida, há a intensificação das metas e trabalho e cobranças tendentes ao assédio. Questiono se a administração tem enfrentado a questão da forma mais adequada.
Perdemos poder de compra com a inflação, sofremos cortes orçamentários, presenciamos a precarização da estrutura e tudo isso acompanhado da intensificação das metas todos os dias.
O caso do TRE é emblemático. O tribunal conquistou o mais alto selo concedido pelo CNJ. Organizou com excelência a Eleição Geral mais conturbada das últimas décadas. Enfrentou manifestações e acampamentos na porta da sua sede. Houve ameaças a colegas de trabalho nesse período.
A contrapartida dada pelo Tribunal foi o aumento da jornada de trabalho dos servidores de forma outorgada, na última semana da gestão Carlos Alberto Alves da Rocha.
É dizer: os servidores produziram no mais alto nível e em condições mais adversas. “Um cumprimento numa mão e um açoite na outra” foi a opção administrativa.
Sofremos ofensas da opinião pública e sofremos ofensas da administração.
Servidor tem traduzido a opção por um estilo de vida messiânico em que servimos não apenas à população, mas ao capricho da administração que opta por se encastelar em gabinetes cada vez mais distanciados da realidade de quem “os serve”.
Não é coincidência o crescente número de adoecimento mental.
O que mais se espera do servidor?
– Mãos à obra!”
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“Dia do Servidor Público… um dia a ser comemorado e também um dia a ser refletivo sobre essa nobre missão.
Comemorado porque a esmagadora maioria do quadro são constituídos por pessoas éticas, qualificadas, responsáveis e sempre preocupadas em fazer o seu melhor no nobre ofício de servir ao público.
Mas, também, não podemos deixar de refletir o quanto nos últimos tempos somos desvalorizados, seja pela opinião pública que revela uma visão distorcida da realidade e reverberam e generalizam que somos marajás, parasitas..
Enquanto a realidade esmagadora de nós ,vê a cada dia que passa a carga de trabalho aumentar, a remuneração encolher pela inflação e a normalização de ambientes tóxicos, onde muitas vezes nos sentimos apenas um número e não somos vistos e tratados como seres humanos dignos de respeito e tratamento sadio e equilibrado. Infelizmente uma das consequências desses comportamento são os assédio morais, discriminação, falta de acolhimento e empatia.
Uma das formas de evitar esses males que a longo ou médio prazo podem impactar negativamente na própria produtividade e principalmente no adoecimento mental em massa seria o real enfrentamento dessas questões, com acolhimento, diálogo e respeito.
Em tempos onde os direitos humanos avançam e internamente vivemos em um estado laico, democrático e plural, a administração pública precisa urgentemente rever conceitos e protocolos.
Muito já avançou, mas o caminho ainda é longo e por denso que seja é possível em um espírito de comunhão, diálogo, empatia e solidariedade ser trilhado.
Na maioria das vezes passamos mais tempo no trabalho do que nos nossos lares junto aos nossos familiares, isso por si só já é motivo pra somarmos esforços para um permanente meio de trabalho harmonioso.
Em tempos de extremismos, polarizaçoes exacerbadas, vamos nos reconhecer e nos dar a mão na busca de um serviço público de excelência. Mas só conseguiremos essa excelência se a saúde física e mental estiver em dia, se existir o comprometimento, o pertencimento , a conexão emocional positiva sobre o nosso trabalho e como somos nele tratados.
Como servidora pública já há bastante tempo é esse ideal que defendo. E vejo que basta apenas poucas ações para deixar uma equipe motivada : o diálogo constante, rodas de conversa, a escuta imparcial, a cultura do respeito, da empatia..
Sei que muita coisa parece utópica, mas não é, fazer pouco é melhor que não fazer nada.
Fica aqui o agradecimento e reconhecimento a todos esses heróis sem capas…um viva a nós servidores públicos, que saibamos valorizar o público externo e também o interno.
E finalmente uma sugestão a todo colega em posição de chefia ou não: viu algo errado, presenciou ou tomou conhecimento de algo nocivo no seu ambiente, reflita e tome uma atitude positiva e empática, nunca julgue nada nem alguém por precipitação, dê a todos a atenção necessária que você gostaria de receber.
É louvável iniciativas com o lema..procure ajuda.. não se cale diante de atitudes nocivas, mas vou além, se você presenciar isso, não apenas reproduza essa fala, estenda a mão, acolha, ofereça ajuda.
Além de servidores públicos cheios de metas a cumprir, somos seres humanos, cada um carregando silenciosamente suas dores, fraquezas e as vezes essa pessoa, mesmo com um sorriso no rosto, não possui forças para procurar essa ajuda.
Em tempos de verdadeira ditadura da aparência, da positividade tóxica, onde parece que nos tornamos robôs humanos a estar sempre com sorrisos nos lábios, vamos refletir, colocar o dedo na ferida, ela pode até sangrar no começo, mas se tratada e acohida ela irá cicatrizar e sarar.
Todo ser humano carrega sombras e luzes..que nosso ambiente de trabalho seja sempre aquele propício a acender a nossa luz e a do próximo.
Que Deus nos abençoe sempre ..é o meu mais profundo e sincero desejo!”…
“* Valor do servidor público para a sociedade brasileira * luta pelos nossos direitos * conquistas vieram por meio da nossa organização sindical * união/organização dos servidores por meio dos sindicatos – o coletivo; um servidor sozinho não consegue lutar para manter seus direitos e nem conquistar novas vitórias, mas um sindicato sim. Então além de ser o dia do servidor, hoje e sempre será comemorado a força do coletivo dos servidores: o sindicato.
Nossa luta é hoje pela defesa do serviço público na sociedade brasileira. Os impostos que o brasileiro paga devem sim, voltar para o cidadão, por meio dos mais variados serviços: saúde, educação, segurança, serviços ligados aos direitos fundamentais assegurados na constituição cidadã de 88. Direito à justiça, à democracia e é onde nós entramos, o judiciário do Brasil a serviço do cidadão. É ao cidadão que servimos. Esta é nossa força. Portanto devemos ser o coletivo. Devemos valorizar o Sindicato. Participar das pequenas questões que nos afetam”.
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Por sua vez, o ex-dirigente sindical Jamil Benedito da Costa Batista, que tem obsessão pela síntese, disse que a raiz de todo mal que afeta todo o serviço público bem como os servidores públicos, chama-se neoliberalismo.
E por fim divulgamos a mensagem do coordenador-geral do Sindijufe Edivaldo Rocha dos Santos, que nestes dias está em Brasília, onde participa de um coletivo jurídico da Fenajufe, e que também vem fazendo um trabalho de corpo a corpo no Congresso Nacional pela derrubada dos vetos ao PL 2342/2022.
“Estou em Brasília tratando das questões de interesse de nossa Categoria. Aproveito o ensejo para parabenizar todos os Servidores do Judiciário Federal pelo nosso dia”.
Luiz Perlato – SINDIJUFE/MT