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Grito dos Excluídos afirma que só há independência se houver direitos

Caminhada que durou uma hora e meia contou com a presença de políticos, como o deputado estadual Eduardo Suplicy. Governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo foi criticado pelos manifestantes

Por Redação RBA

Fotos: Elineudo Meira / @fotografia.75

Fotos: Elineudo Meira / @fotografia.75

Manifestantes pedem a punição do ex-presidente Jair Bolsonaro pelos crimes cometidos em seu governo

São Paulo – Integrantes do 29º Grito dos Excluídos e das Excluídas fizeram nesta quinta-feira (7), em São Paulo, uma caminhada por reivindicações. A ação durou cerca de uma hora e meia e reuniu grande número de pessoas, inclusive crianças, ocorrendo sem problemas ou interrupções. Eles pediram que o governo federal pare de ceder espaço em ministérios ao Centrão (conjunto de partidos políticos que não se identificam necessariamente com o governo ou com a oposição) .

Eles se reuniram por volta do meio-dia no Monumento às Bandeiras, nas proximidades da Assembleia Legislativa e do Parque Ibirapuera para encerrar o ato. Várias faixas foram estendidas com frases como: “Independência sem direitos não é independência, é morte”. Antes de começar a caminhada, uma liderança do movimento afirmou que os movimentos de base não estão adormecidos.

O ato contou com a presença de políticos, entre eles, o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT). O parlamentar leu uma carta, que disse ter enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitando a viagem dele à Índia para participar da Cúpula do G20. Em seguida, os grupos que participaram da manifestação também divulgaram o teor da carta que reúne suas reivindicações.

Deputado Estadual Eduardo Suplicy

Em discurso durante a marcha do Grito dos Excluídos, outra liderança fez críticas ao governo estadual, de Tarcísio de Freitas. Uma das reclamações dizia respeito ao próprio percurso dos manifestantes, que, este ano, não puderam transitar pela Avenida Paulista, o que daria mais visibilidade ao protesto. Após ordem do governo paulista, houve mudança no itinerário e, por isso, desviaram pelas ruas Dr. Rafael de Barros, Tutoia, Brigadeiro Luís Antônio e Marechal Estênio A. Lima, até chegar ao local de destino.

Em alguns momentos, os manifestantes foram alvo de provocações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moradores de prédios agitaram bandeiras do Brasil, ao que os participantes do ato responderam com palavras de ordem, como “Arreia, arreia, arreia, arreia, arreia. O povo está na rua e Bolsonaro na cadeia”.

O deputado estadual pelo Paraná, Renato Freitas (PT) também participou do ato em São Paulo:

Quadra após quadra, policiais militares mantiveram a vigilância sobre os manifestantes. Os agentes formaram um cordão nas calçadas, empunhando escudos.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública esclareceu que o policiamento foi reforçado na Avenida Paulista e na Praça Oswaldo Cruz, por meio das equipes da Força Tática, do Comando de Choque e dos batalhões de Ações Especiais. Os policiais fizeram o patrulhamento tanto a pé quanto em motocicletas e viaturas para garantir a segurança. As equipes do Comando de Policiamento de Trânsito também atuaram, em apoio à Companhia de Engenharia de Tráfego, para assegurar o fluxo viário. Além disso, a Base Comunitária Móvel foi posicionada na Praça Oswaldo Cruz para adequar melhor o espaço a fim de proteger os manifestantes.

Em Curitiba

O 29º Grito dos Excluídos/as de Curitiba fez a concentração no Centro de Formação Santo Dias – na histórica Vila Torres, caminhando até a Casa de Passagem Indígena (Capai), conquista do movimento indígena desde 2021.

O Grito deste ano contou com as comunidades articuladas na campanha Despejo Zero, com organizações indígenas kaingang, organizações populares, do movimento negro, pastorais sociais, grupos religiosos, sindicatos e partidos.

Sob o mote de “Você tem fome de quê?”, a atividade ainda contou com apoio do Marmitas da Terra e do MST na elaboração do almoço para 500 participantes.

Na Casa de Passagem, a mística da resistência indígena foi colocada em voga. Ao lado da Casa de Passagem, Curitiba e região contam com as ocupações indígenas Parque do Mate, Retomada Piraquara, Araçaí e Kakané Porã.

Por todo o país

O 29º Grito dos Excluídos e Excluídas foi programado em 98 locais, em todo o país, de acordo com mapeamento parcial. Confira o Grito dos Excluídos nas cidades pelo país:

Grito dos Excluídos reúne cerca de 200 pessoas na periferia de Cuiabá

 microfone foi aberto pra dar voz as pessoas que reivindicam mais escolas, apoio aos indígenas e direitos reconhecidos

Neste ano, o Grito dos Excluídos em Cuiabá, fechou uma rua do Bairro Jardim União, na tarde desta quinta-feira (7), feriado do Dia da Independência, e reuniu cerca de 200 pessoas. A manifestação que acontece desde de 1995 busca dar voz às pautas das minorias.

Grito dos Excluídos foi realizado na tarde desta quinta-feira (7), em Cuiabá. (Foto: João Custódio) Grito dos Excluídos foi realizado na tarde desta quinta-feira (7), em Cuiabá. (Foto: João Custódio)

O objetivo do movimento foi reunir os incômodos e necessidades de melhorias em diversas áreas sociais tanto no estado como no país.

O microfone foi aberto para dar voz às pessoas que reivindicam:

  • Escola pública de qualidade;
  • Melhorias no transporte público e no valor da passagem;
  • Direito à moradia;
  • Demarcação de terras indígenas;
  • Alimentos sem agrotóxicos;
  • Defesa dos povos negros e da comunidade LGBTQIA+.

O arcebispo de Cuiabá, Dom Mário, reforçou um dos apelos do movimento, o fim do feminicídio e da violência contra mulheres.

Entre os questionamentos estes ano, segundo a organização do ato: “Será que somos mesmo independentes?” e ” Você tem fome e cede de quê?”.

 

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