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Desigualdade de gênero aumenta barreiras no mercado de trabalho

Estudo mostra a difícil realidade enfrentada pelas mulheres, como tripla jornada e diferenças salariais. Elas são maioria nas atividades informais e no empreendedorismo por necessidade

 (crédito: Foto: Arquivo pessoal)

(crédito: Foto: Arquivo pessoal)

Tripla jornada, diferenças salariais, assédios e informalidade são dificuldades que marcam a trajetória profissional das mulheres ao longo dos anos. Segundo dados da organização não governamental Think Olga, os retrocessos enfrentados pela população feminina em termos de participação no mercado de trabalho equivalem a 30 anos.

As dificuldades se apresentam em todas as áreas, até mesmo naquelas que costumavam ser dominadas pelas trabalhadoras, como serviços domésticos, educação, saúde, serviços sociais e alimentação.

Essas nuances serão analisadas pelo Laboratório de Inovação Social Mulheres em Tempo de Pandemia da Think Olga. Até o final deste ano, a organização de inovação social irá reunir dados e conversar com especialistas para apontar possíveis caminhos, nas esferas individual, pública e privada, para reduzir problemas que levam à desigualdade de gênero.

A principal linha de estudo é sintetizada no mote “Autonomia das Mulheres: o futuro do trabalho”. O objetivo é analisar a fundo três autonomias: a financeira, a emocional (estar distante de situações abusivas e degradantes) e a de conhecimento (saber o seu lugar no mundo e acessar o que não se sabe).

As análise abrangem a chamada “economia do cuidado”, aquele trabalho que envolve atividades voltadas ao bem-estar ou sobrevivência de outras pessoas, seja ele remunerado ou não. Entre essas atividades estão os serviços que as mulheres realizam para cuidados dos filhos ou dos pais, muitas vezes idosos, ou em casos de emergências de saúde.

“As três esferas de autonomia formam interseções. Não adianta só a autonomia financeira se você está em um relacionamento abusivo. Mas, a condição financeira e a de conhecimento são importantes para sair de uma relação abusiva”, explica Nana Lima, cofundadora da Think Olga.

Empreendedorismo

O estudo avalia o contexto da empregabilidade das mulheres, e faz um paralelo entre a informalidade e o empreendedorismo. Em 2021, 230,2 mil vagas foram criadas e ocupadas por homens, enquanto houve perda de 87,3 mil postos de trabalhos de mulheres, segundo dados levantados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Além disso, entre 2020 e 2021, 70% das vagas criadas foram em regime informal.

Nesse contexto, uma das principais questões é a adesão das mulheres ao cadastro de Microempreendedores Individuais (MEIs). “Nunca tivemos tantos registros de novos MEIs, mas o que isso significa? Se estamos perdendo espaço nas vagas formais e os MEIs estão aumentando, provavelmente estamos tendo precarização. A gente olha para o MEI como empreendedorismo, mas, na verdade, é a sobrevivência, o empreendedorismo por necessidade”, explica Maíra Liguori, diretora de Impacto da Think Olga.

Correio Braziliense

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