Em 2022 ainda olham o negro com dó e pena ou com desprezo e preconceito. O Dia da Consciência Negra é o momento oportuno para nos unirmos aos movimentos sociais que lutam contra o racismo e pela igualdade racial e inclusão social.
Muitas pessoas, erroneamente, dizem que não se deve celebrar a consciência negra, e sim a consciência humana. Isso, no entanto, é uma ideia que pode até ter surgido com boas intenções, mas acabou prestando um desserviço à luta contra o racismo e a favor da igualdade racial.
O Brasil é o segundo país em maior número de população negra no mundo. Só entre 2017 e 2018 essa parcela da sociedade movimentou mais de R$ 1,6 trilhão. Mesmo assim, infelizmente, 78% dos negros e negras estão entre os mais pobres do país e são as principais vítimas de homicídios. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, sendo a população mais vitimada por índices de mortes violentas maiores que a guerra da Síria, por exemplo.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apesar de serem 55,8% da população brasileira, os negros, que combinam pretos e pardos, representavam uma parcela maior (64,2%) dos desempregados no país em 2018. E quando empregados formalmente, recebiam em média 14,8% a menos que os brancos em postos informais. Estes números traduzem como o negro ainda sofre preconceito e é colocado de lado no mercado de trabalho neste 20 de novembro quando se comemora o Dia da Consciência Negra, data dedicada à luta contra a desigualdade racial no Brasil.
Historicamente a sociedade sustentou-se por meio de uma relação desigual entre pessoas. Nesse contexto os brancos possuem privilégio e poder desproporcional em relação à população preta. Isso evidencia que as relações sociais são desiguais e que é preciso corrigir essa distorção para que a sociedade evolua.
“Consciência negra é um termo que ganhou notoriedade na década de 1970, no Brasil, em razão da luta de movimentos sociais que atuavam pela igualdade racial, como o Movimento Negro Unido. O termo é, ao mesmo tempo, uma referência e uma homenagem à cultura ancestral do povo de origem africana, que foi trazido à força e duramente escravizado por séculos no Brasil. É o símbolo da luta, da resistência e a consciência de que a negritude não é inferior e que o negro tem seu valor e seu lugar na sociedade.”
Para unificar o povo preto em torno de sua luta contra séculos de escravização e após a abolição da escravatura no Brasil, passou-se a pensar em uma forma de unir a população preta e conscientizá-la de sua cultura, da luta diária das pessoas pretas e do valor de ser preto. O objetivo é ainda parecido com o da negritude, mas vai além, pois indica às pessoas pretas que, apesar de elas não ocuparem muitos lugares de destaque na sociedade dominada por pessoas brancas, elas merecem destaque por sua intensa luta.
A consciência negra é isto: um misto de conscientização da importância do preto na sociedade, do reconhecimento do valor, da cultura e da luta de pessoas pretas que não se calaram e levantaram a cabeça contra o racismo. Apesar do protagonismo negro nessa consciência — que mais do que uma ideia ou conceito, é uma espécie de prática que dá “movimento” aos movimentos sociais —, podemos esperar que, a partir do choque com a consciência negra, as pessoas brancas repensem suas práticas.
O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso (Sindijufe-MT) celebra o mês da consciência negra e se solidariza com as pessoas vítimas de racismo.