Ontem (24) em Cuiabá aconteceu um importante ato público na histórica Praça da Mandioca, no centro da cidade. Mas foi um acontecimento de muita tristeza e indignação. O brutal assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, ocorrido dias atrás em Salvador-BA, foi relembrado por organizações sociais e o movimento negro, em especial, pedindo o fim das violências policial e do racismo, responsáveis pelo já caracterizado genocídio da população preta. A manifestação teve a participação do Sindijufe-MT, que carrega em sua bandeira de lutas a defesa de uma sociedade justa, igualitária e o combate às variadas formas de discriminações.
A reação dos movimentos sociais e do movimento negro se deu após o país registrar aumento expressivo de mortes decorrentes de ação policial nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, onde na última quinta-feira (17) a liderança quilombola, Mãe Bernadete, foi morta com 12 tiros disparados à queima roupa. Nas últimas três semanas, 64 pessoas foram mortas em ações policiais nos estados, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. Destas, a maioria era pessoas pretas. As mobilizações pedem o fim das violências policial e racial e do racismo, responsáveis pelo já caracterizado genocídio da população preta.
Mato Grosso tem 78 Comunidades Remanescentes de Quilombos certificadas – todas no sul do estado, no limite entre o Cerrado e o Pantanal. Os casos de violência contra os negros em solo mato-grossense também são recorrentes, embora menos frequentes.
Antes do ato público, o diretor do Sindijufe, Luis Claudio de Campos Borges, visitou o Centro Cultural Casa das Pretas e se solidarizou com a entidade, em nome do Sindicato, pelos desafios enfrentados no combate à violência racial. Luis Claudio, inclusive, nasceu nas proximidades do centro histórico da capital mato-grossense, na Rua Pedro Celestino, e defende, portanto, todo apoio à causa da população negra. A coordenadora-geral do Sindijufe Juscileide Maria Kliemaschewsk Rondon também compareceu ao Ato na Praça da Mandioca e manifestou o seu apoio.
Participaram do ato Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso, Coletivo Negro Universitário UFMT, UNEGRO Pantanal, Movimento Negro Unificado – Mato Grosso; Ile Ase Egbe Ketu Omo Orisa Odé, Ilè Okowòo Asè Iya Lomin’Osa, Centro Espírita Nossa Senhora da Glória; Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação; Rede Nacional de Religiões Afro-brasileira e Saúde em Mato Grosso (Renafro-MT).