Uma nota dura e por muitos considerada ameaçadora tem potencial para certamente fazer Jair Bolsonaro recuar no que diz respeito à concessão de uma reestruturação para as carreiras de policiais federais. A reestruturação nada mais é do que um novo nome, menos impactante, para reajustes de salários concedidos na forma de modificações em vantagens, gratificações etc.
Os policiais federais, assim como os militares, têm servido de garotos propaganda do governo nos últimos dias têm feito questão de expressar que sabem muito bem disso.
O Ministro da Justiça, depois do verdadeiro ultimato publicado pela entidade de classe dos policiais federais, tenta aplacar os ânimos e em conversa na sede da PF nessa segunda-feira (18/04) disse que ainda tentaria reverter a situação, apresentando uma proposta em que o governo de alguma forma desse um reajuste diferenciado para os policiais.
Na nota divulgada em 14 de abril a Federação Nacional de Policiais Federais – FENAPEF – usou três frases consideradas chave a para a mudança de postura do governo.
1- “área, tão utilizada pelo Governo e, em especial pelo próprio Presidente em suas propagandas na apresentação dos recordes alcançados…“. Os policiais lembram o presidente de que são praticamente todos os dias usados em comerciais que divulgam o sucesso do governo no combate à criminalidade.
2 – “… temos obrigação de manifestar a nossa profunda decepção com mais essa promessa que estaria prestes a ser descumprida...”. Os policiais repreendem o presidente por mais uma promessa descumprida, havia um acordo para a concessão de um reajuste exclusivo para os policiais federais.
3 – “Esperamos que o Presidente da República analise com cautela a situação…“. A solicitação de cautela soa, depois de palavras como decepção e indignação, nesse momento crucial, como uma advertência, um aviso de que se as promessas não forem cumpridas os policiais podem de alguma forma demonstrar a indignação da categoria, causando problemas indesejáveis para o governo em um período bem próximo da campanha eleitoral.
Veja o texto completo
A Federação Nacional dos Policiais Federais – FENAPEF vem a público manifestar a sua mais absoluta indignação com a notícia de que a reestruturação das carreiras policiais da União não será implementada no corrente ano, medida essa diversas vezes prometida e anunciada diretamente pelo Presidente da República.
De acordo com a notícia, o Presidente da República descumprirá o compromisso de que tais carreiras seriam reestruturadas e supostamente concederá um aumento linear a todos os servidores públicos em torno de 5%, perpetrando perdas e aumentando ainda mais as distorções remuneratórias na PF.
Destacamos que um reajuste linear de 5% certamente não agradará a nenhuma das categorias, além de que implicará no descumprimento de mais uma “promessa” do Presidente da República ante os policiais.
Devemos lembrar que o governo foi eleito com a promessa de que valorizaria os profissionais de segurança pública e, até então, os profissionais dessa área, tão utilizada pelo Governo e, em especial pelo próprio Presidente em suas propagandas na apresentação dos recordes alcançados, foi incapaz de promover qualquer modificação estrutural ou a reestruturação da carreira.
A despeito de tudo o que é objeto de propaganda por parte do Governo Federal em relação à Polícia Federal e seus servidores, fato é que os policiais federais amargaram diversas perdas, sendo talvez a mais marcante a implementada com a Reforma da Previdência, na qual houve verdadeira perda salarial e de direitos históricos dos Policiais.
Declaramos o nosso apoio a todas as carreiras do serviço público, mas temos obrigação de manifestar a nossa profunda decepção com mais essa promessa que estaria prestes a ser descumprida, fato que, caso confirmado, certamente provocará uma crise sem precedentes na Polícia Federal.
Esperamos que o Presidente da República analise com cautela a situação, tudo o que foi prometido até então, o anunciado reconhecimento pelo trabalho de excelência dos policiais federais e cumpra a inúmeras vezes anunciada promessa da reestruturação.
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