Passados 1.462 dias da execução da vereadora e de Anderson Gomes, motorista que a conduzia na noite de 14 de março de 2018, ainda não se sabe a razão de terem sido emboscados no Estácio, quando foram assassinados

Carro com Marielle e Anderson é periciado depois do crime – (crédito: Mauro Pimentel/AFP)
Quem mandou matar Marielle Franco e Anderson Gomes? A pergunta continua sem resposta quatro anos depois dos assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro e do motorista que trabalhava para ela. O crime, cometido no bairro do Estácio, região central da capital fluminense, até o momento não condenou ninguém.
O sargento reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronnie Lessa e o também ex-PM Élcio de Queiroz — o primeiro apontado por ter feito os disparos que mataram a vereadora e o segundo de dirigir o carro usado no assassinato —, estão sob custódia desde 2019. Até hoje não foram encontrados a arma e o carro usado no crime.
Ronnie e Élcio serão levados a júri popular, considerando situação de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe — emboscada e sem dar chance de defesa às vítimas. O julgamento, porém, permanece sem data marcada.

Ronnie e Élcio: acusados, presos, mas ainda não julgados (foto: AFP)
Depois de 1.462 dias — contagem feita pelo site do Instituto Marielle Franco —, as investigações do crime deram poucas respostas. Pior, as apurações são repletas de fatores incomuns: cinco delegados já estiveram no comando das investigações; além disso, as promotoras Simone Sibilio e Letícia Emile abandonaram, voluntariamente, a força-tarefa que apurava o caso, em julho de 2021, por motivo de “risco de interferência externa”.
À época procuradora-geral da República, Raquel Dodge pediu, em 2019, a federalização do crime argumentando que, 18 meses depois dos assassinatos, a polícia carioca não dera respostas satisfatórias sobre o episódio. Mas, no ano seguinte, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido e manteve as apurações no Rio de Janeiro.
Antes, o Ministério da Justiça pedira à Polícia Federal que entrasse no caso para “investigar a investigação” à cargo da Polícia Civil do Rio.
Correio Braziliense