Sem recursos arrecadados por meio dos tributos, não há política pública de educação, saúde, emprego, moradia e segurança pública. Neste ano, orçamento da União é de mais de R$ 4,7 trilhões.
Por Bianca Lima e Luiz Guilherme Gerbelli, GloboNews e g1
Acompanhar o orçamento público é fundamental para quem quer entender como o governo usa o dinheiro que sai do bolso da população por meio do pagamento de tributos. Sem esses recursos, não há política pública de educação, saúde, emprego, moradia e segurança pública.
A partir desta terça-feira (8), o g1 e a GloboNews dão início a um projeto de acompanhamento das contas públicas do país. Batizado de ‘De Olho no Orçamento’, busca esclarecer e aproximar a população das decisões dos governos federal, estaduais e municipais e do Congresso em relação ao gasto público.
E você com isso?
A forma como o governo gasta o dinheiro que arrecada influencia mais do que apenas deixar no brasileiro aquela sensação de ‘bolso vazio’.
Alguns efeitos são diretos: ao definir as prioridades de gastos, o governo determina a qualidade da saúde, educação, saneamento e segurança públicos, entre outros, a que os brasileiros terão acesso.
Com recursos limitados, despesas muito altas com o chamado ‘custeio da máquina’ (os gastos para manter o governo funcionando), por exemplo, podem deixar o governo sem dinheiro para os investimentos – prejudicando o crescimento do país e a criação de empregos.
Por outro lado, se o governo está excessivamente endividado, terá que pagar juros mais altos para ‘rolar’ essas dívidas – e, na ponta, vai provocar a elevação das taxas de juros pagas por empresas e consumidores na hora de obter crédito.
As escolhas do governo
Neste ano, o orçamento da União é de mais de R$ 4,7 trilhões, e os principais gastos do governo são com refinanciamento dos juros da dívida pública (R$ 1,9 trilhão) – o que é necessário para evitar um calote –, Previdência (R$ 777,7 bilhões) e pessoal (R$ 336,1 bilhões).
Além de analisar como o governo gasta grandes montantes, é importante se debruçar sobre gastos menores e de pouca transparência.
Em 2022, por exemplo, o fundo eleitoral deve receber R$ 4,9 bilhões e as emendas de relator – recursos que são destribuídos sem transparência e que já foram questionados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal de Contas de União (TCU) – terão R$ 16,5 bilhões.
“As nossas escolhas nunca foram as melhores e isso está muito claro neste ano. Nós estamos gastando cerca de R$ 4,9 bilhões com o fundo eleitoral, enquanto o orçamento do Meio Ambiente é de R$ 3,2 bilhões. O Brasil é muito criticado pelo que faz ou deixa de fazer com o meio ambiente e, no entanto, o orçamento dessa área é menor do que o país vai gastar o financiamento das eleições”, acrescenta.
G1