A marcha dos servidores públicos pela recomposição salarial neste 31 de maio em Brasília teve tentativa de repressão policial. Por volta das 9h, um grande contingente de Servidores do Judiciário Federal e representantes de outras categorias ocuparam o Espaço do Servidor, nas proximidades do Ministério da Economia, mas foram impedidos de usar microfones. Além de não conceder reajustes e de não aceitar dialogar com os servidores públicos, o governo ainda demonstrou que se sente incomodado com a presença deles em Brasília, e tomou providências para que ficassem longe da Esplanada dos Ministérios bem como do Congresso Nacional.
Mas a repressão não desanimou os trabalhadores, que mantiveram a manifestação, utilizando o carro de som que ficou estacionado no gramado da Praça dos Três Poderes, e agora à tarde a manifestação será levada para dentro da Câmara dos Deputados, cobrando a valorização dos servidores públicos. “Não vamos nos acovardar diante dessa tentativa de repressão policial. Vamos sim manter o nosso ato e vamos lutar até conquistarnos o nosso reajuste, de 19.99%, que recompõem as nossas perdas”, declarou o coordenador-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) Fabiano dos Santos.
De acordo com a diretora do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso (Sindijufe-MT) Juscileide Rondon, o ato hoje tem uma grande importância no sentido de, mais uma vez, mobilizar e buscar apoio, principalmente no Legislativo, para que os servidores possam ser atendidos em suas demandas. “Haverá bastante trabalho para desenvolver nestes 2 dias, porque se trata de convencer a todos que a demanda de recomposição salarial de 19,99% é justa. “O trabalho que a gente veio fazer é mais no Congresso Nacional, pois, a partir do momento que convencermos os deputados federais e os senadores de que a nossa demanda é justa, solucionaremos essas paralisações que estão ocorrendo, assim como as greves em alguns setores do funcionalismo e evitaremos uma greve maior na segunda quinzena de junho”, disse ela.
Mas Jusci destaca que esses movimentos de base junto ao Legislativo não encontrarão facilidades nem mesmo dentro do Legislativo. “Com raras exceções, a bancada que hoje representa os trabalhadores na Câmara Federal é muito pequena e não dá conta dos desafios desse período, até porque o governo e o centrão fizeram maioria no último período e tem tomado medidas que atacam os trabalhadores, tanto do setor privado como do setor público. Portanto, esse esforço que estamos fazendo no decorrer das mobilizações daqui para a frente, tem que aumentar para conseguirmos o nosso objetivo, que é recompor as perdas, pelo menos do último período”, disse ela.