O feriado desta segunda-feira é um dos mais importantes do nosso calendário, porque nos remete à reflexão sobre uma triste realidade do nosso País.
De 4.219 pessoas mortas pelas polícias de oito estados brasileiros em 2022, 2.700 eram negros (pretos e pardos), o que representa 65,7% das mortes. Considerando apenas as pessoas que tiveram cor/raça declarada, a proporção de negros mortos sobe para 87,4%.
Os dados são do estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), e divulgado na semana passada.
A dificuldade de ser transparente com esses dados também revela outra face do racismo, que é a face de não ser tratado com a devida preocupação que deveria.
A privação de direitos fundamentais da população negra é uma ameaça à democracia.
Para enfrentar o racismo sistêmico histórico existente na sociedade brasileira é preciso o combate à desigualdade para alterar a realidade.
As políticas públicas para a área precisam ter previsão orçamentária e serem implementadas para que os direitos da cidadania aconteçam e a exclusão recrudesça, pois sem o aporte de recursos transforma-se em narrativa de inclusão falaciosa.
Faltam políticas públicas voltadas para essa questão social, e o Sindijufe apoia e entende que o respeito, a igualdade e a solidariedade são imprescindíveis para que, junto com a ampliação de recursos pelo estado brasileiro para o bem estar desta que é a maioria da população, é o caminho para assegurar a inclusão.
Luiz Perlato – SINDIJUFE/MT