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Royalties, moeda própria e ônibus de graça: conheça Maricá, RJ, onde população cresceu 54,87%

Especialistas veem oportunidades geradas com o petróleo como principal motivo para crescimento populacional. Moradores elogiam a tarifa zero, a segurança e a educação pública.

Por g1 Rio e TV Globo

As oportunidades geradas pelos royalties do petróleo? As praias oceânicas e de lagoa? A proximidade do Grande Rio? A moeda social? Ou a tarifa zero nos ônibus? O g1 e a TV Globo ouviram especialistas em urbanismo e moradores de Maricá para tentar entender os motivos de a cidade da Região Metropolitana ter crescido 54,87% entre os censos de 2010 e de 2022 – na contramão da capital, que diminuiu, por exemplo.

Nos dados divulgados na quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Maricá estava em 197.300 pessoas até o ano passado – contra os 127.461 de 12 anos antes.

A cidade é governada pelo PT há 15 anos: Washington Quaquá, depois de dois mandatos, elegeu Fabiano Horta, que em 2020 foi reconduzido ao cargo com 88% dos votos válidos.

Boa utilização dos royalties, diz urbanista

Os 'vermelhinhos', como são chamados os ônibus gratuitos em Maricá — Foto: Adriano Marçal

Os ‘vermelhinhos’, como são chamados os ônibus gratuitos em Maricá — Foto: Adriano Marçal

O urbanista Washington Fajardo acredita que Maricá seja um caso de “boa utilização dos recursos dos royalties” do petróleo. A cidade bateu atingiu arrecadação recorde de R$ 2,5 bilhões em 2022.

“Maricá é um dos raros municípios que têm o princípio da tarifa zero, então isso lança uma luz sobre a eficiência de políticas públicas como atratividade de mudança demográfica”, avalia.

O urbanista se refere à gratuidade em 25 linhas de ônibus da cidade – os chamados “vermelhinhos”. Hoje, há ainda bicicletas compartilhadas de graça.

“Eu vou de vermelhinho para todo lugar. Eu moro afastado do Centro e uso para trabalhar. Final de semana, quero curtir uma praia, vou até pra Jaconé [bairro praiano parte em Maricá, parte em Saquarema]”, conta Silvana Ferreira.

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Maricaense há 50 anos, Silvana cita, além do transporte público, a educação e a segurança como qualidades da cidade.

Mesma opinião da influencer Keli Sales, que depois de morar em vários bairros do Rio de Janeiro e viver em Natal, no Rio Grande do Norte, escolheu Maricá para se estabelecer em sua volta ao Rio de Janeiro.

“Qualidade de vida, principalmente para quem tem criança. E aqui é uma cidade de muitas oportunidades, no esporte, na educação. A escola pública de Marica é simplesmente maravilhosa”, afirmou Keli.

Moeda própria, a mumbuca

A cidade também tem, desde 2014, uma moeda social, a mumbuca – nome que se refere ao primeiro bairro onde foi implantado um programa municipal de transferência de renda. A moeda não concorre com o real, é atrelada a ele. Ou seja, 1 mumbuca vale sempre R$ 1.

Na pandemia, cada beneficiário chegou até 300 mumbucas (R$ 300) por pessoa da família. Depois, o valor passou a ser de 200 mumbucas por pessoa. Atualmente, o programa de transferência de renda beneficia 42,5 mil moradores.

De acordo com as regras, quem recebe o benefício não pode sacar dinheiro, mas os comerciantes podem trocar a moeda social por real. Mais de 11 mil prestadores de serviço estão cadastrados para aceitar na moeda.

Atividade em uma escola pública de Maricá — Foto: Divulgação

Atividade em uma escola pública de Maricá — Foto: Divulgação

“Maricá cresceu muito rapidamente. Desde 2010 já vem crescendo. A cidade tem uma série de vantagens, como melhores condições de vida. Emprego só tem onde há investimento. Tem que haver investimento, tanto público para gerar essa capacidade, quanto privado”, analisa Claudio Egler, geógrafo e pesquisador.

Migração da capital

Os moradores mais antigos dizem que não trocam a cidade por nenhuma outra do estado, e os novos contam que estão felizes com a mudança.

A casa de veraneio virou endereço fixo da escrevente de cartório Paula Brito, que deixou a Vila da Penha, na capital.

“Meus pais tinham uma casa aqui… É uma cidade calma, próxima a Niterói, ao Rio, tem uma distância, mas não é longe, tem uma qualidade de vida melhor”, explica Paula.

G1

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