Segundo a plataforma, Brasil poderia levar até 60 anos para atingir níveis adequados de equidade de gênero

Em 2023, número de profissionais femininas em cargos de liderança caiu para 32% a nível mundialDivulgação/Unsplash
Amanda Sampaioda CNN
São Paulo
18/07/2023 às 04:00 | Atualizado 18/07/2023 às 10:02
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Um estudo exclusivo do LinkedIn aponta que a desaceleração econômica deve contribuir para maior disparidade profissional entre homens e mulheres no Brasil e no mundo.
Segundo o relatório Global Gender Gap 2023, do Fórum Econômico Mundial (FEM), somente no primeiro trimestre de 2023, o número de profissionais femininas em cargos de liderança caiu para 32% a nível mundial.
O percentual é equivalente ao de 2020, durante a pandemia da Covid-19.
De acordo com Ana Plihal, executiva de soluções de talentos do LinkedIn no Brasil, o cenário de incerteza econômica tende a prejudicar muito as carreiras de mulheres.
“Durante a pandemia, por exemplo, uma das pressões que as mulheres sofreram foi a necessidade de acomodar tarefas domésticas com o trabalho. Com isso, muitas mulheres acabaram abrindo mão de suas carreiras”, afirma.
O levantamento mostrou ainda que o número de contratação de homens e mulheres vinha crescendo cerca de 1% ao ano em todo o mundo desde 2015.
No entanto, devido à desaceleração econômica, as mudanças no mercado de trabalho passaram a ser percebidas.
“Quando você tem um momento de insegurança, tende a voltar para o modelo de trabalho que você conhecia antes”, afirma.
Apesar disso, a pesquisa revelou que o Brasil está em seu melhor momento em termos de equidade de gênero no ambiente de trabalho, ocupando a posição 57ª no ranking mundial, melhor nível desde 2006.
Ao comparar os resultados da Global Gender Gap Report de 2022 e 2023, é possível observar que 7 dos 21 países participantes da América Latina e Caribe, inclusive Brasil, melhoraram suas pontuações de equidade de gênero no ambiente profissional.
No entanto, segundo Plihal, se o ritmo atual for mantido, a região deve levar 53 anos para atingir níveis adequados de equidade de gênero.
“É uma previsão alarmante para um problema tão atual”, afirma.
Se considerarmos somente o Brasil, esse número poderia chegar a 60 anos.
“O modelo de pesquisa que eu conheço estimava uma redução para menos de 50 anos para nosso país um pouco antes da pandemia, ou seja, a gente retrocedeu”, explica a executiva.
Apesar do Brasil ter tido progresso em relação à equidade de gênero, os países da América Latina permanecem atrás de regiões como a Europa e América do Norte.
“A minha expectativa é que a gente volte a acelerar e recupere muito mais rápido esses números”, diz Plihal.
Recrutamento mais justo
Uma das formas de corrigir esse déficit estaria relacionada à comunicação dos recrutadores.
Segundo o relatório, a seleção deve se tornar mais “justa”, com foco no aumento da representação de mulheres em cargos de liderança, especialmente em setores de alto crescimento.
“Dependendo da forma que uma posição é apresentada e de como é nomeada, isso impede que as mulheres se apliquem”, explica Plihal.
“A área de vendas, por exemplo, é uma área na qual tradicionalmente as mulheres não se encontram, especialmente quando se descreve na busca um perfil agressivo e de imposição”, afirma.
No entanto, segundo a especialista, ao divulgar a mesma oportunidade citando habilidades como organização, estratégia e relacionamento com clientes, a chance de uma mulher se candidatar aumenta exponencialmente.
A executiva do LinkedIn explica ainda que as mulheres tendem a ser extremamente mais rigorosas do que os homens para escolher uma posição e, por isso, se aplicam menos às vagas.
“Uma mulher tende a querer atender 100% dos requisitos para se aplicar a uma oportunidade, enquanto um homem precisa apenas de 60%”, diz.
Para o Global Gender Gap Report, é necessária uma mudança sistêmica para tornar os locais de trabalho mais justos, igualitários e abertos a receberem mulheres, tanto em cargos de entrada quanto de liderança.
CNN