Cansados de esperar que o presidente da Câmara, Arthur Lira, se dignasse a vir falar com os Servidores Públicos no Aeroporto Internacional de Brasília ou no Anexo II, sem resultado, na manhã desta quarta-feira (08), Dia da Justiça, os manifestantes adotaram uma estratégia diferente. Eles lotaram 4 ônibus e organizaram uma caravana até a residência oficial do parlamentar. Foram barrados pela polícia, e os meios de transporte tiveram que ficar no meio do caminho, mas conseguiram ser liberados para seguir o trajeto a pé. A caminhada valeu a pena.
O Lira não veio até o portão cercado pela polícia, mas o barulho da mobilização foi tão alto que ele se sentiu incomodado e mandou um de seus assessores tentar dispersar os manifestantes sob o argumento de que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32 não será mais votada neste ano. Só que, em vez de acalmar os trabalhadores, isso fez foi irritá-los, pois eles queriam ouvir isso da boca do próprio presidente da Câmara. Nesses 4 meses de luta contra a reforma administrativa, tudo que os Servidores querem é conversar com o parlamentar e explicar que não deixarão a PEC 32 ser aprovada porque ela acabará com o serviço público, e também pelo fato de que eles sequer foram ouvidos pelo governo ou pelos seus apoiadores no Legislativo.
Chuva de “dinheiro”
A uma certa altura da manifestação, começaram a sair os veículos oficiais do Legislativo transportando deputados. O deputado José Guimarães (PT-CE) foi o primeiro a sair mas parou para conversar com o público. Ele informou que estava saindo de uma reunião com Arthur Lira e outros parlamentares, em que o tema discutido foi a PEC 32, e que ficou definido que a proposta não será mais votada neste ano. “Vamos derrotar essa PEC”, previu o deputado da oposição ao governo. Outros parlamentares também cruzaram pelo portão mas os veículos trafegaram com dificuldade, pois a concentração tomou conta do asfalto, e os manifestantes, em sua maioria mascarados de Arthur Lira, cobriram as passagens com dinheiro falso denunciando a compra de votos que o presidente da Câmara tem promovido, com dinheiro do povo brasileiro, na tentativa de conseguir os votos necessários para a aprovação da PEC 32.
Chovia dinheiro do céu, e o protesto demorou pra terminar, porque havia muita gente revoltada querendo falar ao microfone, para denunciar os esquemas do governo e do Legislativo para alcançar seus objetivos, como fizeram com a PEC dos Precatórios, aprovada no Senado aé mesmo com votos favoráveis da oposição, talvez pelo apelo de que se a PEC 23 não fosse aprovada não haveria dinheiro para socorrer os brasileiros desempregados que lutam para sobreviver à fome durante a pandemia.
Apoio da imprensa e dos indígenas
A mobilização contra a PEC 32 teve expressiva cobertura da mídia, ao menos na manhã desta quarta-feira. Além da cobertura jornalística, o ato público também teve o apoio solidário das lideranças das etnias indígenas que se encontram acampanhadas em Brasília na luta contra o marco temporal proposto pelo Projeto de Lei 490/2007.
O marco temporal é uma tese jurídica que busca restringir os direitos constitucionais dos povos indígenas. Nessa interpretação, defendida por ruralistas e setores interessados na exploração das terras tradicionais, os povos indígenas só teriam direito à demarcação das terras que estivessem sob sua posse no dia 5 de outubro de 1988. Alternativamente, se não estivessem na terra, teriam que comprovar a existência de disputa judicial ou conflito material na mesma data de 5 de outubro de 1988.
Os índios lutam pelo direito de permanecer com suas terras, e aproveitaram para manifestar solidariedade às lutas da classe trabalhadora pela manutenção do serviço público e outros direitos. Os estudantes também manifestaram apoio aos Servidores Públicos.
O ato público desta manhã contra a PEC 32 foi encerrado por volta das 11 horas, e viaturas e motos da Polícia Militar escoltaram os trabalhadores por cerca de 2 Km até o embarque nos ônibus estacionados distante da residência oficial de Arthur Lira. Em suas falas, os manifestantes esclareceram que não confiam no presidente da Câmara quando ele diz que a PEC 32 não será mais submetida a votação neste ano. A PEC 32 não deverá ser colocada para votação porque ele, o deputado Arthur Lira, não tem os votos necessários para a aprovação. Somente por isso. Mas a qualquer momento o governo e seu pupilo poderão obter a maioria injetando mais dinheiro no esquema das emendas. Mas os trabalhadores estão de olho e anunciaram que não arredarão o pé de Brasília enquanto a PEC 32 não for sepultada.
A mobilização desta quarta feira teve a participação dos diretores do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso (Sindijufe-MT) Walderson de Oliveira Santos (o Oliveira) e Juscileide Rondon (a Jusci), que também é coordenadora da Fenajufe.
Luiz Perlato/SINDIJUFE-MT