Sindijufe - MT

Manifesto contra o machismo foi destaque no XIº Congrejufe

Se o XIº Congresso Nacional da Fenajufe (Congrejufe) já entrou para a história da Categoria pelo espaço de uma inteira tarde dedicada ao debate sobre o tema opressões, mais surpreendente ainda foi o manifesto contra o machismo, feito pelos homens presentes no plenário.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso (Sindijufe-MT), Juscileide Rondon, houve um questionamento sobre a ausência de muitos homens no decorrer do debate sobre o tema Opressões. “Mas a manifestação no Congresso foi um avanço para a desconstrução das masculinidades tóxicas e aponta um novo patamar de diálogo sobre o tema dentro da Fenajue e sindicatos filiados”, destacou.

Leia, a seguir, o inteiro teor do manifesto contra o machismo:

“Chega! Não dá mais! Não é não!

O machismo e o racismo patriarcal, âncoras do sistema capitalista, organizam nossa sociedade. Não é possível lutar por liberdade e igualdade sem se opor com firmeza a esses sistemas de opressão.

A luta por equidade de gênero passa pela conscientização e ação dos homens, sobre seus privilégios de raça, orientação sexual e, muitas vezes, econômicos.

Uma cultura antimachista e antipatriarcal precisa ser pauta em todas as atividades sindicais, e precisa ser objeto de debates em todos os ambientes sociais, como forma de superar todo tipo de opressão de gênero, de raça e sexual.

A reincidência dos assédios, como os lamentáveis fatos ocorridos ontem no ambiente do Congrejufe, são inaceitáveis. Os homens, nesse congresso e na sociedade, têm o dever de se posicionar, denunciar, e lutar diariamente contra a violência de gênero.

Preservando as vítimas de exposição e novas violências, é imprescindível e fundamental a responsabilização do assediador.

A objetificação das mulheres é inaceitável! Nós, homens, precisamos lutar diariamente contra o assédio, fruto da desigualdade de gênero, em todos os espaços da sociedade. Assobios, “piadas” entre amigos, “cantadas”, abordagens insistentes, prática de tocar o corpo das mulheres enquanto fala não dá mais!

Nesse sentido, propomos que a Fenajufe e os sindicatos filiados:

– Assegurem formação para a categoria sobre equidade e opressão de gênero e raça, assédio sexual e moral, a fim de  desconstruir a cultura machista e patriarcal incrustada em nossa sociedade e comumente reproduzida em nossos fóruns;

– Promovam instruções sobre cultura antimachista como requisito de participação nos fóruns de representação da categoria;

– Garantam em todas as instâncias e atividades, no mínimo, um painel sobre opressões de gênero, raça e orientação sexual, de preferência no início;

– Assegurem que em todas as atividades as delegações recebam orientações e manifestação explícita de que a entidade não compactua e não se eximirá de apurar e punir tais condutas em seu âmbito interno, além de remeter às esferas cível e criminal o que couber.

Chega! Não dá mais! Não é não!

Assinam esse manifesto:
– Henrique Sales Costa – SP
– Mário Marques- RS
– Sérgio Amorim – RS
– Thiago dos Reis Martins – SP

E todos os homens que lutam contra o machismo presentes nesse XI° Congrejufe”

 

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